2018-01-19

Reunião de mães


Ontem fui a uma reunião de pais. A primeira dica de que estava ali deslocado foi um desabafo de uma das mães para a educadora: "ainda bem que consegui vir, que o meu marido não me soube dizer nada do que se passou na reunião anterior".

Eu sei porque é que ele não disse nada. Porque NÃO. HAVIA. NADA. para dizer! Mas aquelas mães tinham de saber mesmo tudo: quais são as atividades, se cantam acompanhados de instrumentos musicais ou não, se há inclusão entre meninos e meninas, se os deixam brincar com isto e com aquilo, etc. 

Enfim, a reunião de pais foi monopolizada por 3 ou 4 mães que parecia que tinham inscrito os seus filhos de 3 anos em Harvard, e precisavam mesmo de saber se eles estavam atentos às aulas de inglês, literacia e yoga. O meu não estava de certeza, que não o inscrevi nessas merdas: o Manuel pertence a um pequeno grupo de crianças de elite que podem ir para recreio brincar enquanto os outros têm aulas extra. 

Isto está tudo muito mudado... Na minha altura as aulas extra chamavam-se aulas de compensação e só lá iam os burros.

A certa altura falou-se de puzzles, e uma das mães queixou-se de que a filha não mostrava muito interesse e fazia poucos e com poucas peças. Perguntou depois qual o numero de peças indicado para a idade deles, ao que a educadora respondeu "umas 20, até 25...", tranquilizando a rapariga, enquanto outra mãe exclamava do outro lado "Sóóó!? Ai, a minha filha já faz de 64 peças!"

E foi aqui que me perderam. 

Desliguei da reunião e fiquei a imaginar a miúda a receber das mãos do Rei da Suécia, o seu fortemente merecido Nobel dos Puzzles:


Grilus Falantis Júnior - Sai daqui mazé


Há uns dias, encontrava-me a usufruir de um dos raros momentos de acalmia do dia, aquela altura em que uma pessoa sente o WC como o último reduto de tranquilidade (sou daqueles que lêem na casa de banho), quando entra o Manuel todo sorridente e se instala ao meu lado, a observar-me.

Manuel, vai-te lá embora, eu já vou ter contigo.
- Não, eu quero ficar aqui a ver.
Também gostas que fiquem a olhar para ti quando estás na casa de banho?
- Não...
Então sai daqui!
- É porque eu gosto muito dos pais e quando quero estar ao pé deles eu vou.
Então vai ter com a mãe!
- Não.


2017-11-17

Grilus Falantis Júnior - Ca-dei-ri-nha!


Ontem ao jantar, enquanto falávamos sobre cadeirinhas auto, simples ou inteiras, mete-se na conversa o mái novo:

Manuel: Estavam a conversar sobre o quê?
Eu: Sobre cadeirinhas para o carro e sobre gostarmos muito de ti. E tu, gostas do pai e da mãe?
Manuel: Não!
Mãe: Nem um bocadinho?
Manuel: Só um bocadinho de nada...
Mãe: Então de quem é que tu gostas mais, mais, mais, mais?
Manuel: Gosto mais do vô Tino.

- E pronto. Já não levas cadeirinha nenhuma.

Querido, não mudei a casa



Como está um calor que não se pode, comprei um aparelho de ar condicionado para instalar lá em casa. Apesar das temperaturas sufocantes deste mês de novembro optei por levar apenas a máquina e tratar da instalação posteriormente, para poder comparar preços de várias empresas. Vamos aguentar este calor que nem uns duros.

A Melom, além de ser a empresa do Querido Mudei a Casa, é a que trabalha com a Leroy-Merlin (vocês dizem lerroámérrelãn ou lirói-mérlin? nunca sei...). Pronto, é aquela loja que em Alfragide fica perto do IKEA. Ou será da IKEA? (e diz-se iqueia ou ikéá?) olha, merda para isto das lojas em estrangeiro. Só por causa disso, contactei a Clima Loures, uma empresa cujo nome uma pessoa consegue pronunciar tranquilamente: Climaloures. Até acalma...

Acalma, mas só até me darem o orçamento: 1 dia de trabalho + materiais dá qualquer coisa como €260,00. Na publicidade da Lerróámérrelãn diziam que o valor era a partir de €130,00. Decidi aguardar o orçamento dos "Queridos", mais uma vez calma e tranquilamente. Até que ele chegou:


E chegou com uma patada de força tão grande, que respondi a informar que o aparelho já eu tinha comprado. Mas não, aquele era mesmo o preço da instalação, porque "cenas", e porque iriam demorar cerca de 2 dias. 

Quer dizer, num programa da TVI, para mudar a cozinha toda a uma tia qualquer amiga deles, mais a sala e o quarto dos putos, e entulhar aquilo tudo com velinhas e merdinhas, frigoríficos a cores e LCD's de quarenta milhões de BTU's, demoram um dia...

Já para fazer meia dúzia de furos e um buraco na minha parede demoram dois dias... Dois dias, ali com o senhor maldisposto da Margrés a passar estuque, e com os "Queridos" a fazer tropelias munto engraçadas, ao som daquela musiqueta "tarãn-tata, tarãn-tata, shub-xiua"

Acabei por entregar o trabalho a um senhor que me leva 100 euros, que tem certificado e ainda me certifica que o Gustavo Santos não entrará em minha casa. Saímos todos a ganhar.

2017-11-14

Grilus Falantis Júnior - Baeta


No fim de semana fui com o Manuel cortar o cabelo. Entrámos no salão e acontece isto:

Cabeleireira: Olá! Então, vens para cortar o cabelo?
Manuel: Sim... mas é só para cortar, não é para pintar!

2017-10-25

Estou velho, dói-me o joelho


  Ontem ao final da tarde fui com um amigo buscar o meu filho à escola, e ficámos os três na conversa ao lado de um café que vende cerveja barata e ainda por cima oferece bolachas ao Manuel. Perfeito. De repente aparece uma velha a dizer a uns moços que não podiam estar sentados à porta do prédio. Reconheci a megera: há cerca de um ano ela e o marido tinham implicado comigo e com uns amigos precisamente no mesmo local, porque nos estávamos a abrigar da chuva à porta dela.

  Quis então o destino que, por intermédio das noites mal dormidas das últimas semanas, a velha me viesse agora a encontrar rabugento e sem a paciência de há um ano atrás. Teve o azar de vir novamente implicar com a minha pessoa, sendo que a minha pessoa tinha dormido apenas duas horas. Ralhei (bastante) com a velha e disse-lhe para não me dirigir a palavra. 

"Olhe, chame a polícia."

  Ora hoje de manhã, num cruzamento onde estava um polícia, passam dois carros no vermelho e ficam à minha frente a impedir a passagem. Isto mesmo nas barbas deste inútil, que estava agarrado ao telemóvel, provavelmente no grupo de watsapp "Pela Lei e pela Grei". Ralhei com o homem:

"Shôr agente, então, não se faz nada...?"

Ficou sem saber o que dizer, e meio atordoado lá mandou os carros recuarem. 

- Estava a ver que tinha de chamar uma velha.





2017-10-23

Grilus Falantis Júnior - Comboios


  O Manuel adora comboios, especialmente os que têm chaminé. Se querem ver o Manuel feliz metam-no num comboio. Mas só tipo Lisboa-Algés ou Santa Apolónia-Oriente, porque se for mais do que isso, aborrece-se e quer sair em estações no meio do nada. Ainda assim, ontem aconteceu este diálogo:

Manuel: Eu gosto muito de comboios.
Eu: Ah é? E gostas mais de comboios ou do pai?
Manuel (sem pestanejar): De comboios.

2017-09-13

Grilus Falantis Júnior - Números



Ao jantar, a cada 10 colheres de sopa, o Manuel tem direito a fazer ou a pedir que alguém faça uma piada. Foi uma estratégia inventada ao calhas, mas que funciona. Contamos as colheradas, e à décima ele decide quem diz a piada. Quando é ele, normalmente a piada é um "Púncs!", e quando sou eu saem coisas tão hilariantes como "Carlos". Mas ele ri-se e come mais 10, que é o que interessa... Ontem, em vez de contar em português, a Liliana foi dizendo em inglês:

One, two, three, four...
- Mãe, não é assim!!!
Five, six, seven, eight...
- A mãe não sabe... Isso não é números!
Nine, ten.
- Mãe, tens de ir para a prisão porque estás a sair dos números.

E ele tem razão, foi assim que o Isaltino Morais lá foi parar. A sair dos números. 
Façam cuidado. Façam muito cuidado com o procurador Manuel da Costa Grilo.


2017-07-04

Vícios



E se um drogado for mesmo muito viciado em tecnologia?

Se precisar de partilhar no HTC que está a fumar uma e que o THC já lhe está a bater?

Um gajo que por exemplo já tenha tido, no passado, de abdicar da ADSL para poder comprar LSD, ou vice versa... Estas pessoas podem vir a ter graves problemas com as siglas.

- Especialmente se começarem a misturar as cenas, enfiarem o MDMA na parte de trás da televisão e engolirem um HDMI.


2017-06-29

Grilus Falantis Júnior - Capitão


O meu bébé tem agora 148 semanas. Sim, porque nós, os pais, contamos tudo em semanas.

- Mentira, tive que ir à calculadora do Windows e multiplicar 4 semanas por 37 meses (vai fazer 3 anos em agosto) para saber mais ou menos quantas semanas ele tem. Para ser honesto, perdi a conta logo a partir do primeiro mês de vida. Comecei logo a dizer "epá tem praí um mês e duas semanas, mais coisa, menos coisa". Nunca fui muito bom a Matemática. Mas calculo que por esta altura os meus pais também não digam aos amigos que eu tenho 1862 semanas. Mais coisa menos coisa...

Adiante: ontem estávamos os dois a ver o jogo Portugal - Chile, para a taça das confederações, essa competição que nunca teve interesse nenhum até nós lá estarmos. O Manuel, que em podendo escolhe sempre o outfit t-shirt + cueca, dá nestes preparos uma valente biqueirada numa almofada, que voa do sofá pra fora. Segue-se isto:

"Boa!!! Pareces o Ronaldo em cuecas..."

"- Eu sou o Capitão Cuecas!"

148 semanas. Estou tão orgulhoso.


2017-05-29

Grilus Falantis Júnior - Surpresa


Dizer ao Manuel que temos de parar de jogar à bola com os avós e com o tio, e que tem de ir para dentro do carro, contrariado, dá direito a uma birra de nível 8.3 na escala de Richter. Deu ontem, e deu também este desfecho:

"Buááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááá!!!"
- Manuel, vamos agora ter com a avó Zé e ela tem uma surpresa...
"Buáá... áaa... aaah... O Manel já está a ficar melhor."

2017-05-26

Grilus Falantis Júnior - Quinta-feira


Na segunda-feira, depois do jantar:

"Eu estou com sono. E tu, Manuel, vais dormir? Daqui a um bocadinho?"

"- Não. Só quinta-feira."

2017-05-22

Grilus Falantis Júnior - Água de Mar


Sentados na toalha debaixo do chapéu de sol, eu e a mãe damos um beijinho. O Manuel olha, ri-se, e diz "Oh... tão quidos!"

É uma ternura. Mas há um ano para cá que anda com um vício: beber água do mar. Sempre que nos apanha distraídos mete-se a engolir água do mar como se fosse a melhor coisa do mundo. Com receio que tanta água salgada lhe fizesse mal, ou pelo menos o deixasse com sede, peguei numa garrafa de água e disse:

- Toma, bebe desta água
"Para quê? Já bebi tanta!"

Grilus Falantis Júnior - Colinho


Ontem ao chegar à praia, depois de tirarmos do carro o Manuel, as mochilas, o chapéu de sol e as toalhas, o almoço dele, os brinquedos e o protetor solar, começámos os três a caminhar na direção da areia. Passados 5 metros:

"Quero ir ao colo"
- Ao colo...? Não vais a pé porquê?
"Ao colo é mais fácil"

Grilus Falantis Júnior - Bigode

Todos os dias quando vai ao café com a senhora que toma conta dele, o Manuel recebe um pão do Senhor António. Na semana passada, foi com a mãe a uma outra pastelaria e pediram um pão. Quando chega o senhor com o pão, pergunta o Manuel:

"É pão do Senhor António?"
- É, pois.
"Oh, esqueceu-se do bigode!"

2017-05-05

Grilus Falantis Júnior - China


Ele: "O Manel quer um ovo com a cara do Faísca Maquín"
Eu: Oh... ovos desses nem sequer há em Portugal...
Ele: "Há na China. Vamos à China, de barco, buscar o ovo do Faísca."


2017-04-28

Nossa! Senhora...



Abaixo deixo três excertos retirados de um PDF disponível online, "Documentação crítica de Fátima: seleção de documentos (1917-1930)". Podem ler só o que está a negrito, que eu sei que vocês são preguiçosos:

"Primeiro viram um relâmpago, levantaram-se e começaram a juntar as ovelhas para se irem embora com medo, depois viram outro relâmpago, depois viram uma mulher em cima duma carrasqueira, vestida de branco, nos pés meias brancas, saia branca dourada, casaco branco, manto branco, que trazia pela cabeça, o manto não era dourado e a saia era toda dourada a atravessar, trazia um cordão de ouro e umas arrecadas muito pequeninas"
(1ª Aparição – 13-5-1917)

"O traje era: um manto branco que da cabeça chegava ao fundo da saia, era dourado da cintura para baixo dos cordões a atravessar e de alto a baixo e nas orlas era o ouro mais junto. A saia era branca toda e dourada em cordões ao comprido e a atravessar, mas só chegava ao joelho; casaco branco sem ser dourado, tendo nos punhos só dois ou três cordões; não tinha sapatos, tinha meias brancas, sem serem douradas; ao pescoço tinha um cordão de ouro com medalha aos bicos; tinha as mãos erguidas; tinha nas orelhas uns botões muito pequeninos e muito chegados às orelhas"
(2.ª Aparição – 13-6-1917)

"Que tinha visto uma mulher pequena 4 vezes, uma em sua casa à noite e três na Cova da Iria ao meio dia; diz ser do tamanho da Albina, filha de António Rosa da Casa Velha ; em casa viu-a à borda do alçapão do sótão, não dizendo nada; estava a mãe e irmãos a dormir e era de noite; na Cova da Iria viu-a em pé em cima duma carrasqueira ; vinha vestida com meias brancas e fato todo dourado; não trazia sapatos; a saia era branca e toda dourada e dava-lhe pelos joelhos; o dourado era aos cordões a atravessar e nos cordões aos biquinhos; casaco branco todo dourado; um manto pela cabeça era branco e todo dourado"
(3.ª Aparição – 13-7-1917)

    - Nem o mais fervoroso dos católicos pode negar as diferenças entre o aspeto da figura da fotografia acima e as descrições que acabaram de ler. Nota-se na pelo texto que Maria saiu à pressa de casa, porque apesar de ir toda arranjadinha, cordão de ouro no pescoço e tudo, não teve tempo de calçar uns sapatos. Ou isso ou escolheu ir de meias para subir à carrasqueira. Um salto agulha vai melhor com uma saia de look casual? Vai sim senhor, mas não tem a mesma aderência a este tipo de azinheira.

    Também apareceu de meias no sótão, mas aí deve ter sido por causa do barulho. Se tivesse aparecido de sapato de tacão alto, acordava a casa inteira e não é com estardalhaço que se avisam as criancinhas sobre os perigos do comunismo que iria florescer na Rússia.

    Depois há a saia pelo joelho. A existir, Nossa (primeiro nome...) é muito mais cool do que querem fazer parecer com aquelas estatuetas. Uma saia daquelas em 1917 deve ter feito furor, mas entre maio e julho faz um calor na zona de Leiria que não é brincadeira nenhuma, pelo que me parece muito mais lógico uma saia pelo joelho do que uma espécie de roupão branco até aos tornozelos com um carapuço. Era a Cova da Iria em julho, não o Covão da Ametade em janeiro.

    Sei que não sou um mago do Photoshop, mas sei colocar em imagem o que me relatam. Vejam lá se esta versão não está muito mais parecida com a descrição da Lúcia, do que aquela boneca que eles têm lá em Fátima:


O pastorinho Francisco está ali a fazer a óbvia pergunta - que se impunha - e que mais ninguém teve coragem de fazer: "Mas... mas... mas e porque é que veio de meias, Nossa Senhora?"


2017-04-21

Grilus Falantis Júnior - Boa educação

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Ontem fomos ao parque, e como o Manuel ia distraído a andar sem olhar para o caminho, avisei-o "cuidado, olha aí o cócó, não pises". Ele passa ao lado, todo contente, olha-o fixamente e diz:

"Olá, Cócó!"

2017-03-28

Aeroporto Cristiano Ronaldo


    Aproveitando o jogo de preparação de hoje entre Portugal e Suécia e a presença de Ronaldo na Madeira, irá ser feita uma espécie de pré-inauguração do novo nome do ainda Aeroporto Internacional da Madeira, lá com umas estatuetas e coiso. Isto significa que da próxima vez que comprarem bilhetes na edreams para o Funchal, vão ter que procurar pelo aeroporto Cristiano Ronaldo. Ah pois é.

    Apesar de achar uma ideia bem foleira, percebo o que o governo regional quis fazer: homenagear o madeirense com maior destaque mundial de sempre. É muito difícil que nos próximos tempos haja um português tão famoso como CR7, e então de uma zona específica de Portugal, ainda é menos provável. E tem vantagens, ninguém se esquece do nome do aeroporto como acontece em Lisboa:

Como é que é mesmo o nome deste aeroporto, pá...? Sá Carneiro? 
Não, esse é o do Porto...
Mas há uma estátua desse gajo ali no Areeiro como quem vai para o aeroporto, não há?
Há, mas não é...
Atão mas esse não foi o que foi assassinado na queda do avião em Camarate, mesmo ali ao lado? Deviam era dar o nome dele também ao de Lisboa...
Sim, mas já deram ao do Porto, o homem nasceu lá...
Ah, já sei o nome, é aquele da avioneta de bronze ali ao pé da torre dos descobrimentos? O que foi de avioneta até ao Brasil!
Não, esse é o Sacadura Cabral... Já descobri aqui na net. Chama-se aeroporto Humberto Delgado.
Mau... mas esse não era o general sem medo? Por que raio é que deram o nome dele?
Diz aqui que ele era general da força aérea e projetou o aeroporto de Lisboa.
Ah bom, ao menos era da força aérea... Mas preferia que fosse o nome do outro. 
Porquê?
Oh... projetar um aeroporto é fácil: alcatrão com fartura, umas casitas para abrigar da chuva, mais uma torre para ver os aviões lá atrás e está feito. E ir de avioneta até ao Brasil? Tá quieto...

    Na Madeira, para mim o aeroporto devia chamar-se ou "Aeroporto Fátima Lopes A Estilista Não A Apresentadora" ou "Aeroporto Internacional Max da Mula da Cooperativa". Esse sim, um madeirense imortal.

Excepto para os países hispânicos. Para esses seria simplesmente "Aeroporto Carlos Cuesta":










2017-03-27

Jeroen quê?



"Não posso gastar o meu dinheiro todo em bebida e mulheres e depois disso ir pedir a vossa ajuda."

    Jeroen é para mim um nome estranho, difícil de memorizar. Dijsselbloem já não só isso. Encaixa noutro tipo de sons. É aquele tipo de barulho que nos deixa apreensivos se estivermos com o carro a trabalhar em ponto morto, ali, tudo normal... trrrrrrrrrrrrrrrr até que de repente se ouve um som tipo DIJSSELBLOEM. - E ficamos muito caladinhos, atentos, a pensar se será falta de óleo ou algum injetor lixado, e e enquanto pensamos sobre isso, pumba, ouvimos outra vez um DIJSSELBLOEM. É um som que chateia, e o mais provável é que nos possa sair caro.

    Por cá, as redes sociais e os media depressa traduziram e simplificaram a frase para "os países do Sul da Europa gastaram tudo em putas e vinho verde". E em termos de traduções é das mais bem esgalhadas que tenho visto. Mudando de verbos para outros com um menor potencial de associação de ideias, quero aqui dizer que apesar de achar que está bem visto, discordo da tradução.

    A quanto é que está o serviço de acompanhantes não tenho ideia, mas no que toca a preços de vinhos, caros amigos, estão na presença de um connaisseur. Não tanto dos vinhos em si, é mesmo mais dos preços. A minha avaliação de um vinho é geralmente "boa cor, taninos fortes e estava em promoção de 50% no Pingo Doce".

- Onde é que eu quero chegar com isto?

   Tenham calma e não me interrompam. É simples: por cá nem o vinho verde é assim tão caro, nem os portugueses recorrem tanto à prostituição como os holandeses. Mas Jeroen tem razão. Gastamos muito com as nossas mulheres, especialmente em cremes e pomadas para elas esfregarem e ficarem gostosas, e uma boa garrafa de tinto fica cada vez mais cara.

Putas e vinho verde? Isso é para meninos... cá no Sul gostamos mesmo é de estourar tudo em Esposas e vinho tinto.